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Aracaju (SE), 14 de agosto de 2026
POR: SES/SE
Fonte: SES/SE
Em: 12/01/2018
Pub.: 12 de janeiro de 2018

Maternidade Nossa Senhora de Lourdes oferece a vítimas do sexo masculino tratamento contra violência sexual

Psicóloga responsável pelo setor na maternidade, Camila Sousa (Foto: SES/SE)

Psicóloga responsável pelo setor na maternidade, Camila Sousa (Foto: SES/SE)

Quando se pensa em violência sexual, a primeira imagem que brota na mente é a de alguém do sexo feminino sendo molestado. Mas, a realidade não é bem assim. Meninos e adolescentes são violentados também e na maioria dos casos, por familiares ou amigos próximos. A Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) registrou em 2016, 19 casos durante todo o ano em 2017 esse número subiu para 34. Neste sentido, a MNSL desenvolve um trabalho de apoio emocional para o sexo masculino que sofre violência sexual. Quem explica é a psicóloga responsável pelo setor na maternidade, Camila Sousa.

Segundo ela, é diário o atendimento ao sexo masculino e esclare que a maternidade está aberta a ambos os sexos, prestando auxílio a quem precisa. “Recebemos pessoas de todas as idades, no entanto, no caso da violência contra o sexo masculino, predomina a agressão contra crianças na faixa etária de zero a sete anos. Atendemos, ainda, adolescentes entre 12 e 14 anos. No caso dos mais novos, eles muitas vezes não sabem ao certo o que lhes aconteceu. No caso dos de 14 anos, normalmente esses meninos possuem alguma forma de retardo”, disse Camila.

A violência sexual pode deixar marcas profundas nas crianças. Os mais novos são os que mais sofrem sintomas psicossomáticos, no caso, doenças de origem emocional sem causa orgânica, informa Camila. Ela vai além quando alerta para o fato de que a maioria dessas crianças é violentada por pais, padastros, parentes e pessoas próximas da família. “Violência sexual é caracterizada por todo ato não permitido ou que mesmo consentido a pessoa não tenha idade para decidir. Fica configurado, nesse caso, estupro de vulnerável”, ressaltou a psicóloga da MNSL.

Silêncio e medo
Camila relata que algumas crianças e adolescentes conseguem contar alguns fatos sobre a agressão e quem praticou o ato. Ela explica que o medo das consequências familiares torna a situação ainda mais difícil. “O que acontece ainda é que a maior parte dessas famílias não acredita no agredido e afirma que a criança ou adolescente está mentindo. É preciso que os pais percebam o comportamento das crianças, que pode passar de dócil para agressivo rapidamente e entender que o abusador pode ter várias faces, inclusive ser mulher”, explicou Camila.

Ela disse que mães têm reações diferentes e muitas delas chegam à maternidade mais tensas que as próprias vítimas e explica que todos os casos devem ser bem analisados, porque há situações em que as crianças não chegaram a ser violentadas e, por suspeita do médico, foram encaminhadas para a MNSL. Para que seja comprovada a violência são realizados exames e avaliações psicológicas. “As vítimas são submetidas à avaliação clínica e se necessário são medicadas em até 72 horas”, informa a psicóloga.

Online
A internet deve ser controlada e vigiada para que as crianças não tenham acesso livre a sites pornográficos. “É preciso entender que qualquer tipo de comportamento está ligado ao reflexo do que as crianças já viram ou ouviram. A pornografia se oferece a crianças, portanto os pais precisam estar atentos”, adverte Camila.

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