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Aracaju (SE), 30 de maio de 2026
POR: Gabriel Damásio
Fonte: Asscom Unit
Em: 29/05/2026 às 20:37
Pub.: 29 de maio de 2026

Policiais são capacitados para gerir unidades especializadas em crimes financeiros

Especialistas em perícia e segurança pública discutiram gestão de laboratórios e produção de provas em crimes financeiros durante pós-graduação realizada em parceira com a Unit

Entre os temas debatidos, está o papel estratégico da tecnologia na produção de provas e no fortalecimento das investigações contra crimes financeiros - Foto: Asscom Unit

Como os policiais civis podem atuar na criação e na gestão de laboratórios de tecnologia e unidades especializadas em combate a crimes financeiros, como estelionato, corrupção e lavagem de dinheiro. 

Esta foi a etapa mais recente do curso de Pós-Graduação em Gestão na Segurança Pública para Polícia Judiciária, realizado pela Universidade Tiradentes (Unit) em parceria com a Academia de Polícia Civil de Sergipe (Acadepol). 

O tema foi abordado em uma mesa-redonda realizada no Campus Farolândia, com a participação do perito criminal federal César Medeiros Cupertino, do Ministério Público Militar (MPM), e da delegada de polícia Thaís Oliveira Lemos, diretora do Departamento de Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap). 

A mesa-redonda buscou propor um debate qualificado sobre o papel estratégico da tecnologia na produção de provas e no fortalecimento das investigações contra crimes financeiros, além de discutir como dados brutos podem ser transformados em evidências técnicas robustas, capazes de sustentar processos investigativos e judiciais. 

De acordo com o oficial Fábio Mangueira da Cruz Nunes, coordenador e professor do curso, o principal ponto é como fomentar a gestão destas unidades e garantir que elas tenham o que há de melhor e mais avançado em termos de tecnologia e capacitação de pessoal.

“A ideia foi trazer especialistas para fomentar essa discussão no âmbito até da própria pós-graduação, uma vez que no Brasil, já há alguns anos, tem se proposto e criado laboratórios de tecnologia contra lavagem de dinheiro e redes de combate à corrupção”, explica ele, citando exemplos como a Rede Recupera e a Rede Lab (Rede Nacional de Laboratórios de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro), que integra o Ministério da Justiça e Segurança Pública a dezenas de unidades especializadas na Receita Federal, na Polícia Federal e nas polícias civis e ministérios públicos dos Estados. 

“É importante trazer esses temas aqui para a Unit, porque ela tem esse respaldo, tem estrutura, professores, tecnologia e o que há de melhor para que possa nos ajudar a capacitar os nossos operadores”, acrescenta Fábio. 

Um dos debatedores, César Cupertino, atua hoje como atual secretário-geral adjunto de Apoio à Investigação no MPM, mas acumula mais de 30 anos de experiência em perícia criminal financeira, pesquisa acadêmica e docência superior. 

Eles incluem participações em investigações nacionais de grande repercussão, como a falência do Banco Nacional (1995), o Escândalo do Banestado (2003-2004) e a Operação Lava-Jato (2014-2018). 

“Eu vejo como iniciativa extraordinária a possibilidade de fazer uma integração, porque quando a gente fala sobre laboratório de tecnologias, a gente está falando tanto ali da integração de ferramentas, de pessoas, de infraestrutura tecnológica, física e lógica. Todo esse conjunto de fatores é importante”, resumiu ele.

Policiais na gestão

Este foi o nono módulo formativo do curso de especialização em nível lato sensu, que tem 15 módulos em diversas áreas e carga horária total de 360 horas, com previsão de conclusão até o final deste ano. 

Ao todo, participam 55 alunos, entre delegados e oficiais-investigadores da Polícia Civil, com a participação de especialistas e professores convidados, incluindo servidores do órgão e docentes da Unit. O curso foi formulado a partir da parceria firmada entre a Unit e a Secretaria de Segurança Pública (SSP/SE), envolvendo a Acadepol e a Delegacia-Geral da corporação. 

O objetivo é capacitar os delegados de polícia e oficiais de investigação para atuarem na gestão de pessoas, de equipamentos e de equipes, aperfeiçoando e otimizando o trabalho diário e operacional da corporação. 

“A gente consolidou uma especialização na área de segurança pública para a polícia judiciária do Estado, e trouxemos uma mesa redonda que já foi pensada na construção do projeto pedagógico.

É um tema extremamente relevante para a polícia e a gente entende que vem a abrilhantar ainda mais o nosso curso. 
A gente está buscando de fato atender e provocar discussões e demandas que estão no dia a dia do policial”, destaca o coordenador de Pós-Graduação Lato Sensu da Unit, professor Ivanilson Leonardo Santos. 

“Temos que ter em mente que nós não somos apenas investigadores ou operadores de direito. Nós somos também gestores públicos, independentemente da função que você exerce. Se você está dentro de uma delegacia, você já tem que fazer gestão”, pontuou o delegado João Batista Santos Júnior, diretor da Acadepol, ao confirmar que já existem discussões para a futura abertura de novas turmas do curso, ampliando a parceria com a Unit. 

“A gente quer que, todo ano, a gente possa proporcionar esse curso de pós-graduação para que todos os cerca de 1.500 policiais possam ter oportunidade de fazê-lo”, afirmou.

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