Levantamentos indicam regiões com alto risco de infestação do Aedes aegypti em SE
Os LIRAas realizados em Aracaju e no interior de Sergipe apontam áreas com alto risco de infestação e reforçam a importância de eliminar água parada, principalmente em recipientes e reservatórios domésticos
A preocupação das autoridades de saúde com o aumento dos casos de dengue, chikungunya e zika vírus reapareceu na última semana, com a divulgação dos resultados mais recentes dos LIRAas (Levantamentos de Índice Rápido do Aedes aegypti) realizados na cidade de Aracaju e no Estado de Sergipe.
Eles apontaram que três bairros da capital e quatro municípios do interior apresentaram alto risco de infestação de focos e criadouros do mosquito aedes aegypti, transmissor das três doenças, o que pode piorar com a intensidade das chuvas desta época e a proximidade do período de estiagem.
Nesta terça-feira, 28, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) concluiu a quarta edição do seu LIRAa em 2026, medindo a infestação do aedes em todos os 75 municípios do estado. Ele apontou que quatro municípios apresentam um alto índice de infestação do mosquito: Frei Paulo, Nossa Senhora da Glória, Itabaiana (4,4%) e Graccho Cardoso (que saltou de 1,7% para 5,8%).
Em relação ao levantamento anterior mais recente, o número de municípios classificados com alto risco caiu de sete para quatro, com a melhoria dos indicadores em Areia Branca, Riachão do Dantas, Ribeirópolis e Simão Dias. Já os municípios em baixo risco aumentaram de 19 para 24, enquanto os de médio risco passaram de 48 para 47.
Já a Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju (SMS) divulgou o seu LIRAa no último dia 23, sendo esta igualmente a quarta edição do ano. Ele apontou um índice alto de infestação do mosquito em três bairros da capital: Dom Luciano (índice de 5,9%); Luzia (4,8%); e Suíssa (4,4%). Por outro lado, houve reduções significativas em bairros que apresentaram infestações altas no levantamento anterior, como Cidade Nova (6,5% para 2,6%), Cirurgia (9,4% para 2,0%), Grageru (4,0% para 3,4%), e Santo Antônio (4,5% para 0%).
Nos outros bairros, 18 foram classificados como de baixo risco e outros 27 de médio risco para a proliferação do mosquito transmissor, além dos três citados como de alto risco.
Para o médico infectologista Matheus Todt, professor do curso de Medicina da Universidade Tiradentes (Unit), o aumento da proliferação (e detecção) do principal vetor das arboviroses endêmicas eleva o risco de aumento de casos de dengue, chikungunya e zika, sobretudo do acúmulo de água em determinados locais.
“O represamento de água em potes, latas, caqueiros, etc constitui o principal fator contributivo para a proliferação do vetor. Considerando que os bairros sinalizados possuem uma infraestrutura razoável, presumimos que o descuido da população seja um dos principais culpados”, diz Todt.
O professor acredita ainda que poderá acontecer, “dentro em breve, um aumento do número de casos de arboviroses, sobretudo da dengue”. Mesmo com a diminuição mais intensa das chuvas no estado, porque algumas previsões científicas apontam para a ocorrência, a partir deste mês de agosto, do “Super El Niño”, o aquecimento acima do normal nas águas do Oceano Pacífico, que altera todo o clima do planeta Terra.
Em Sergipe, ele deve causar seca severa, calor extremo com temperaturas acima da média e grave redução no volume de chuvas, com impactos severos previstos para durar até o primeiro trimestre de 2027.
A escassez pode estimular as pessoas a fazerem reservatórios de água em casa, o que acaba favorecendo o surgimento dos focos do mosquito. “O aumento das chuvas associado ao aumento de reservatórios do mosquito são a mistura perfeita para o aumento do número de casos de dengue, chikungunya e zika”, resume.
Dentro de casa
Nos dois LIRAas, há um dado comum que também chama atenção: a maioria dos focos do aedes foi encontrada dentro das residências das pessoas, que também têm se revelado os locais de acesso mais difícil aos agentes de endemia das prefeituras.
Somente em Aracaju, de acordo com a SMS, os depósitos destinados ao armazenamento de água, como tonéis e lavanderias, responderam por 40,4% dos criadouros encontrados.
Já os vasos e pratos de plantas, recipientes para água de animais, reservatórios de geladeiras e outros recipientes domiciliares representaram 42,5% dos focos identificados. Tanques e calhas corresponderam a 8,2%, enquanto o descarte irregular de lixo e entulho respondeu por 6,2% e os pneus por 2,7%.
Tal informação atesta a insuficiência de medidas que historicamente costumavam ser adotadas pelas prefeituras locais para combater a infestação: o carro fumacê, inseticidas, repelentes naturais e criação de variantes do Aedes que não transmitem doenças.
“Medidas complementares para o combate ao mosquito, embora importantes, são, como o próprio nome diz, complementares. O controle de vetores segue protocolos bem estabelecidos.
Conscientização da população, busca ativa de reservatórios e melhorias na infraestrutura constituem os pilares desse controle”, afirma o professor.
Todt destaca ainda que as medidas preventivas mais simples são eficazes e têm grande impacto no controle e na erradicação dos focos e criadouros do mosquito.
“A população é uma peça fundamental no controle do mosquito Aedes. Evitar coleção de água (“água parada”), limpa ou suja, no domicílio e nas regiões próximas ainda é a medida mais eficaz”, orientou.