Saúde de Socorro promove capacitação para qualificar investigação de óbitos
Encontro reuniu enfermeiros e ACSs para aprimorar a coleta de informações e fortalecer a qualidade dos dados utilizados no planejamento das ações de saúde
A Secretaria Municipal da Saúde de Nossa Senhora do Socorro realizou, nesta quarta-feira, 16, uma capacitação sobre investigação de óbitos, com foco na coleta, no registro e na qualificação das informações. A atividade reuniu enfermeiros e agentes comunitários de saúde (ACS).
A iniciativa surgiu a partir da identificação de dificuldades na qualidade das informações coletadas durante as investigações. De acordo com a enfermeira Ravena Dias, responsável técnica pela Vigilância dos Óbitos da SMS, a capacitação foi uma estratégia para aprimorar esse processo e contou com o apoio da Secretaria de Estado da Saúde (SES).
“Observamos alguns desafios no preenchimento das investigações de óbitos e vimos a necessidade de contar com o apoio da equipe, que tem contato direto e frequente com os usuários, facilitando a coleta de informações. A partir desses dados, conseguimos qualificar as informações e direcionar políticas de saúde para reduzir as causas de óbito evitáveis”, explicou Ravena.
Qualificação dos dados
A médica cirurgiã-geral Mary Ane Tavares, que atua na análise de óbitos por causas mal definidas na SES, explicou que o trabalho realizado durante a investigação não altera a declaração de óbito original, que permanece sob responsabilidade do médico que a emitiu. “A declaração de óbito fica sob responsabilidade do médico que a preencheu. O nosso trabalho é investigar essas informações, verificar se os dados estão corretos e, quando necessário, qualificá-los no sistema. Não alteramos a declaração original, mas buscamos identificar informações que possam esclarecer a causa do óbito e contribuir para os indicadores de saúde”, explicou Mary Ane.
Na prática, quando ocorre um óbito, a declaração emitida pelo médico dá início a um processo de investigação pela Saúde. A equipe pode buscar informações com familiares, nos serviços onde o paciente recebeu atendimento e também em sistemas de informação, de acordo com cada caso.
Para a agente comunitária de saúde Edilma da Conceição, da Unidade Básica de Saúde Heitor Dias Soares, no bairro Albano Franco, a capacitação reforçou que a investigação deve ir além do simples preenchimento de formulários. “Foi muito bom, porque a gente consegue entender direitinho o que precisa preencher, como atuar e quais informações são importantes para dar andamento ao processo. Com isso, a gente também consegue ajudar a Secretaria da Saúde a identificar os óbitos de forma mais precisa e, a partir desses dados, pensar em políticas de cuidado e prevenção”, afirmou Edilma.
A enfermeira Anne Aires, da Clínica de Saúde da Família (CSF) Augusto César Leite Franco, no Marcos Freire II, também ressaltou a importância da oficina para esclarecer o papel dos diferentes profissionais envolvidos na investigação. “Essa oficina foi muito importante para esclarecer alguns detalhes, porque são informações necessárias para identificar a causa do óbito, principalmente nos casos de causas mal definidas. Cada profissional tem uma corresponsabilidade nesse processo, desde a unidade básica até o internamento, e, quando a declaração não traz todos os dados, essas informações precisam ser buscadas com quem acompanhou o paciente”, explicou.