Prefeitura de Aracaju assegura atendimento médico e psicológico a pessoas em situação de rua
As pessoas em situação de rua, ao contrário de boa parte da população, não têm a possibilidade de se manter em casa durante a pandemia do coronavírus (covid-19), tão pouco têm condições de dar a devida atenção à saúde. No entanto, na capital sergipana, a Prefeitura de Aracaju, além de garantir o abrigo, por meio da Secretaria Municipal da Assistência Social, também disponibiliza atendimento médico através do Consultório na Rua e do Programa Redução de Danos, coordenados pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
Prefeitura de Aracaju assegura atendimento médico e psicológico a pessoas em situação de rua (Foto: Marcelle Cristinne/ Prefeitura de Aracaju)
Atualmente, cerca de 100 pessoas em situação de rua estão sendo acolhidas em quatro abrigos disponibilizados pela Prefeitura, com alguns parceiros: a Emef General Freitas Brandão, o Cras Tereza Meire, o Estádio Sabino Ribeiro e o Centro Espírita Laura Amazona. Nestes locais, o Consultório na Rua e o Programa Redução de Danos passaram a realizar atendimentos constantes, seguindo um cronograma semanal, que engloba, ainda, a Casa de Passagem e a Casa Acolher.
“Nosso trabalho é realizado nas ruas, na abordagem às pessoas em situação de rua. No entanto, como uma parte dessa população passou a ser acolhida nesses abrigos, nossas ações precisavam chegar até ela, e assim fizemos. Reestruturamos a equipe do Consultório no Rio, inclusive a ampliamos, e trabalhamos em conjunto com o Programa de Redução de Danos. Essas pessoas não têm acesso ao sistema, muitas vezes por falta de documentação, mas elas não podem ficar sem atendimento, portanto, a nossa tarefa é garantir o acesso, prestar assistência a essas pessoas que têm tão pouca condição ou nenhuma”, explica a coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial (Reaps), que está à frente da ação realizada nos abragos, Chenya Coutinho.
Uma equipe formada por um médico, uma enfermeira, duas técnicas, uma psicóloga, uma assistente social e nove redutores realizam o atendimento de cada um dos abrigados, seguindo o cronograma semanal de visitas. Nas consultas, entre outras verificações, a atenção é voltada para averiguar se os abrigados possuem algum sintoma de síndrome gripal, o que funciona como um monitoramento dos possíveis casos da covid-19.
“Articulamos com o pessoal das Unidades Básicas de Saúde para atender os casos sintomáticos. Há todo um trabalho de articulação da rede também. Tudo é checado e fazemos um controle das informações e seguimos monitorando. Até o momento, nenhum dos abrigados apresentou sintomas de síndrome gripal, mas o trabalho continua”, frisa Chenya.
Médico que atua no Consultório na Rua, Luís Felipe Sales ressalta a importância do trabalho realizado pelas equipes. “Nesse momento que tem muita gente saindo das ruas para esses abrigos, uma população que naturalmente já tem muitas necessidades. Agora, temos uma preocupação a mais que é com relação à covid-19 e essas pessoas não podem deixar de ter assistência. É uma população que está à nossa volta e muita gente finge que não vê, mas existe e precisa de todo o auxílio. Nosso papel é trazer dignidade e levar a saúde, que é um direito universal, a essas pessoas. É um trabalho primordial”, destaca Luís Felipe.
Abrigado na Emef Freitas Brandão há 20 dias, Jairton Corrêa Souza, de 54 anos, foi um dos assistidos e elogiou a iniciativa. “Gostei muito da atenção que recebemos. Eles são muito cuidadosos e acho importante porque estamos no abrigo e podemos cuidar mais da nossa saúde. É bom ter quem nos olhe e cuide”, afirmou.
Há oito dias, Valdiney Silva, de 30 anos, chegou para ser acolhido na escola e também recebeu atendimento. “Eu estava com uma dor no ouvido e eles cuidaram bem de mim. Se eu estivesse na rua, sei que uma hora eles iriam aparecer, mas aqui, podemos ter os médicos e ainda estamos mais protegidos desse vírus que está circulando. Toda essa atenção faz bem pra gente”, considerou.
Trabalho nas ruas
Mesmo com o atendimento nos abrigos, o trabalho nas ruas não para, afinal, essa é a ideia do Consultório na Rua, em parceria com o Programa Redução de Danos, que, há cerca de cinco anos, atua por toda a capital sergipana.
A equipe realiza um revezamento entre o atendimento em campo e o realizado nos abrigos. Somente na primeira semana de abril, 25 grupos foram abordados nas ruas e 134 pessoas receberam atendimento. Apesar de não ter sido registrado nenhum caso de síndrome gripal, três pessoas que estão sendo acompanhadas após terem sido diagnosticadas com tuberculose.
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