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Aracaju (SE), 12 de agosto de 2026
POR: Marília Cavalcante
Fonte: Ascom UFS
Em: 12/08/2026 às 09:53
Pub.: 12 de agosto de 2026

A acessibilidade como política de gestão: Avanços da Universidade Federal de Sergipe entre 2025 e 2026 :: Por Marília Cavalcante

Marília Cavalcante*

Marília Cavalcante, Pró-reitora de Acessibilidade e Inclusão - Foto: Janaína Cavalcante/Ascom UFS

Entre 2025 e 2026, a Universidade Federal de Sergipe passou por uma mudança institucional relevante na forma de compreender e conduzir a política de acessibilidade e inclusão. O que antes ocupava posição mais restrita na estrutura administrativa, por meio de uma Divisão de Ações Inclusivas, foi progressivamente fortalecido com a criação de uma Coordenação de Ações Inclusivas e, posteriormente, com a instituição da Pró-Reitoria de Acessibilidade e Ações Inclusivas — PROAAI. Essa trajetória revela mais do que uma alteração formal de nomenclatura: demonstra a decisão política de elevar a acessibilidade ao centro do planejamento universitário, reconhecendo-a como condição indispensável para a permanência, a autonomia e a participação plena de pessoas com deficiência e pessoas com Transtorno do Espectro Autista na vida acadêmica.

A criação de uma Pró-Reitoria específica para a área representa um marco importante porque confere maior capacidade de articulação, planejamento, execução e monitoramento das ações inclusivas. A acessibilidade, quando tratada apenas como demanda pontual ou setorial, tende a depender de iniciativas isoladas, respostas emergenciais e esforços individuais. Ao ganhar densidade institucional, passa a ser compreendida como política pública universitária, exigindo estrutura própria, equipe qualificada, espaços adequados, orçamento, fluxos administrativos e diálogo permanente com toda a comunidade acadêmica.

Esse avanço também se expressa no redimensionamento da força de trabalho e da estrutura física destinada às ações inclusivas. A ampliação dos espaços, com a passagem de duas salas para oito salas no Campus de São Cristóvão, simboliza concretamente o crescimento da política de acessibilidade dentro da Universidade. Não se trata apenas de ampliar ambientes administrativos, mas de criar condições materiais para atendimento, planejamento, acolhimento, acompanhamento pedagógico e desenvolvimento de projetos.

Entre as ações mais relevantes, destacam-se aquelas relacionadas ao eixo  arquitetônico, especialmente voltadas à eliminação de barreiras urbanísticas e físicas. A acessibilidade arquitetônica é uma dimensão basilar da inclusão, pois não há igualdade real quando os espaços impedem ou dificultam a circulação segura e autônoma de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Nesse contexto, o levantamento das barreiras arquitetônicas e urbanísticas na Cidade Universitária, no Campus de São Cristóvão, constitui uma medida essencial para que a Universidade conheça seus próprios obstáculos e possa planejar intervenções técnicas adequadas. A eliminação dessas barreiras não deve ser compreendida como obra acessória, mas como requisito mínimo para que a UFS seja, de fato, uma instituição pública aberta a todos.

No eixo pedagógico, os avanços também são expressivos. A partir de março de 2025, foram realizadas visitas a todos os Centros Acadêmicos da UFS, inclusive aos campi do interior, com participação em reuniões de coordenação de curso. O objetivo foi enfatizar a necessidade de implementação do Programa de Tutoria Inclusiva — PTI, previsto na Resolução nº 08/2014 do CONEPE. Embora existente há mais de uma década, a resolução ainda não havia sido plenamente colocada em prática. A atuação da gestão, nesse ponto, demonstra compromisso com a transformação de normas internas em medidas efetivas, articulando o professor da disciplina, tutor e discente com necessidades educacionais específicas.

A busca por soluções para esse desafio ocorreu em duas frentes complementares. De um lado, foram iniciadas tratativas com a Superintendência de Tecnologia da Informação e Comunicação (STIC) para o desenvolvimento de um sistema capaz de institucionalizar e integrar as ações de acessibilidade pedagógica no âmbito da Universidade. De outro, foram adotadas medidas imediatas voltadas ao atendimento individualizado dos estudantes com necessidades educacionais específicas, por meio da realização de estudos de caso, reuniões com docentes, coordenações de curso e discentes, além da elaboração dos Planos de Ensino Individualizados (PEI) para cada disciplina, com o acompanhamento da COAI/PROAAI.

A implantação do Sistema do Programa de Tutoria Inclusiva (PTI) representa um avanço estratégico, ao possibilitar o monitoramento contínuo da trajetória acadêmica dos estudantes, subsidiando intervenções mais ágeis, reduzindo os riscos de evasão e contribuindo para o enfrentamento de situações de retenção prolongada na graduação.

Outro importante avanço foi a destinação de recursos expressivos para o Campus de Laranjeiras, destinados à execução de adequações de acessibilidade arquitetônica e à eliminação de barreiras físicas, ampliando as condições de circulação, permanência e participação da comunidade universitária.

Embora ainda existam desafios a serem superados, os avanços alcançados pela UFS entre 2025 e 2026 evidenciam uma gestão que consolidou a acessibilidade como eixo estratégico do desenvolvimento institucional. A articulação entre fortalecimento da estrutura administrativa, eliminação de barreiras arquitetônicas, inclusão pedagógica, cuidado integral, inovação tecnológica e participação social demonstra o compromisso da Universidade Federal de Sergipe com a construção de uma política de acessibilidade cada vez mais permanente, transversal e efetiva. Nesse contexto, a criação da PROAAI, o fortalecimento da COAI e da DAIN e a centralidade conferida à dignidade humana reafirmam o compromisso institucional com uma universidade pública mais inclusiva, acessível e socialmente responsável.

*Marília Cavalcante, Pró-reitora de Acessibilidade e Inclusão

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