O Brasil deveria respirar aliviado :: Por José Lima Santana
José Lima Santana*
O Brasil deveria respirar aliviado desde a noite do último domingo. Aliviado, primeiro, por ter se livrado de um show de baixarias, de acusações entre os dois candidatos que disputaram o segundo turno da eleição presidencial. E segundo, porque quando um candidato se elege, o que resta ao povo é torcer para que ele seja um bom governante. Mas, como se trata do Brasil, onde muitas situações são sui generis, ou seja, não se encontram similares noutros países, o alívio não veio e não sei quando virá.
O candidato derrotado, que já se considerava eleito, tanto que uma de suas assessoras, alardeava que só haveria eleições dentro de oito anos, e que já se intitulava “ministra da Economia”, antecipando providências – nefastas, claro – a serem tomadas, apregoou, de forma irresponsável, que houve “sacanagem” no resultado proclamado pela Justiça Eleitoral. Considere-se que o presidente e o vice-presidente do TSE são os dois ministros do Supremo indicados pelo pai do candidato derrotado e revoltado com sua própria derrota.
O termo chulo (sacanagem) já demonstra o tipo de presidente que o Brasil poderia ter, não fosse a virada ocorrida, em relação ao resultado do primeiro turno, com os jovens e idosos, sobretudo, indo às urnas com gosto de gás, como se diz no vulgo, porém, porque o eleitor em geral acordou em quase todos os Estados, com a “ficha tendo caído”, para que o cognominado Rachadinha não subisse a rampa do Planalto.
O exército do candidato vitorioso foi às ruas, convocado por um deputado federal, dando um banho de movimentação e euforia, sacudindo ruas, praças e avenidas pelo país afora. A camisa amarela da Seleção Brasileira, que foi “tomada” pela direita, desde a eleição de 2018, agora foi retomada pelos partidários do candidato que foi eleito. Enfim, as cores da Bandeira Nacional não pertencem a um só segmento político. Pertencem a todos os brasileiros e brasileiras.
O candidato à reeleição não teve um bom marketing político nas mídias sociais, a partir do horário eleitoral gratuito. Deixou a desejar. Nos debates, que se esperava algo arrasador do presidente, não se verificou a sua supremacia. Ainda bem que o outro candidato, o fujão, andou escorregando feio.
Houve interferência externa na campanha em desfavor do presidente? É claro que houve. Sem sucesso. Marco Rubio que o diga. O mundo financeiro interno deve ter cerrado fileira em desfavor do “velho”, para apostar todas as fichas no “novo”, no número um da chamada “familícia”. Nada que tentaram deu certo para fazer rolar por terra a pretensão do presidente, na busca do seu quarto mandato.
O candidato derrotado, que anunciou não concordar com a derrota sofrida (pobre coitado!), haveria de fazer oposição cerrada ao presidente. O irmão do Rachadinha, foragido da Justiça brasileira e acoitado no país do “alaranjado maluco”, pronunciou-se pela sua saída do país. Este garantiu que não sairia. Mas, como já se sabia, a garantia dele vale menos do que uma casca de siri podre. Escapou de forma sorrateira, como os ratos que se escondem nos buracos, fugindo dos gatos. Teria alguma autoridade, grande ou nem tanto, facilitado a sua fuga? Como ele passou incólume pela fronteira com a Argentina?
De fato, o covarde fujão deixou para trás os seus quase 60 milhões de eleitores, chupando os dedos, a ver navios. Alegação? Que sofria ou sofreria perseguição política. Ora, ele está sendo investigado por outros possíveis crimes, mas não por algum crime político. Dizem que ele sabe muito bem em quais encrencas, em quais falcatruas se meteu, e que ainda virão à tona. Eis, pois, a razão de sua fuga. Como se diz no popular, quem tem aquilo, tem medo.
Bem. O Brasil deveria respirar aliviado. Todavia, ainda não. Aos poucos, as autoridades ianques dar-se-ão conta a quem estão dando asilo. Quando isso acontecer, a porca torcerá o rabo. Aqui, o alívio virá com os novos rumos que a administração pública federal deverá tomar. E tomar de verdade. Houve falhas na gestão de Lula, a que está a findar. Será necessário melhorar, e muito, a gestão. Muito.
Pelo menos, o fatídico bolsonarismo não venceu. Há de ser expurgado da vida política nacional. A direita (não essa extrema-direita de cunho fascista, derrotada) buscará novo rumo, novos quadros. Direita que possa convergir para o centro. O mesmo seja dito com relação à esquerda. A era Lula-PT vai finar-se ao cabo dos próximos quatro anos. A nova esquerda também deverá convergir para o centro. É como penso.
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