Brasil concentra 84% das tentativas de ataques cibernéticos na América Latina
Levantamento coloca o país entre os principais alvos globais e reforça a importância de estratégias preventivas de segurança digital
O Brasil concentrou 84% das tentativas de ataques cibernéticos detectadas na América Latina em 2025. Segundo o relatório do Cenário Global de Ameaças 2026, citado pelo SITEPD, foram registradas mais de 753,8 bilhões de atividades maliciosas direcionadas ao país durante o período.
O volume posiciona o país entre os sete países mais atacados do mundo e revela a dimensão dos riscos enfrentados por empresas, instituições públicas e usuários. Os números representam tentativas identificadas por sistemas de monitoramento, não necessariamente invasões que conseguiram comprometer redes ou dados.
A elevada digitalização da economia brasileira ajuda a ampliar a superfície disponível para ataques. Sistemas financeiros, serviços públicos, plataformas de comércio eletrônico, ambientes em nuvem e ferramentas corporativas passaram a concentrar grandes quantidades de informações e operações essenciais.
Ao mesmo tempo, criminosos têm utilizado automação e inteligência artificial para acelerar a identificação de falhas, criar mensagens fraudulentas mais convincentes e conduzir campanhas em maior escala. Esse cenário reduz o intervalo entre a descoberta de uma vulnerabilidade e sua exploração, exigindo respostas mais rápidas das equipes responsáveis pela segurança.
Prevenção e conhecimento das vulnerabilidades
Diante da expansão das ameaças, a proteção não deve se limitar à instalação de ferramentas. É necessário conhecer os ativos digitais da organização, controlar privilégios de acesso, corrigir falhas, acompanhar comportamentos anormais e estabelecer procedimentos para responder a incidentes.
Uma das práticas utilizadas para avaliar a resistência de sistemas é o Pentest, teste controlado que simula técnicas adotadas em ataques reais. A atividade permite identificar vulnerabilidades antes que sejam exploradas por agentes maliciosos, além de fornecer informações para priorizar correções de acordo com o risco de cada falha.
Diferentemente de uma ação criminosa, o teste é realizado mediante autorização, com escopo e regras previamente definidos. Seus resultados podem apoiar a revisão de aplicações, redes, ambientes em nuvem e controles de acesso, mas precisam ser acompanhados por correções e novas avaliações.
Segurança como parte da gestão empresarial
Autenticação multifator, atualização de sistemas, cópias de segurança protegidas e restrição de acessos estão entre as medidas que reduzem a exposição. Os treinamentos também são importantes, pois mensagens de phishing e outras técnicas de engenharia social procuram induzir usuários a entregar credenciais ou executar arquivos maliciosos.
O Brasil conta ainda com a Estratégia Nacional de Cibersegurança, instituída pelo Governo Federal, que orienta a cooperação entre poder público, setor privado, instituições de ensino e sociedade. A proposta reconhece que a segurança digital está relacionada à continuidade de serviços, à proteção de dados e à confiança no ambiente tecnológico.
Os dados mostram que responder somente após um incidente pode ser insuficiente. Para organizações brasileiras, incorporar a avaliação contínua de riscos ao planejamento tornou-se uma condição para reduzir impactos operacionais, financeiros e reputacionais.