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Aracaju (SE), 09 de setembro de 2026
POR: Raquel Passos
Fonte: Asscom Unit
Em: 09/09/2026 às 09:35
Pub.: 09 de setembro de 2026

Pesquisa investiga impacto da desinfecção na qualidade de radiografias digitais

Tese de doutorado desenvolvida na Unicamp por odontólogo sergipano formado na Unit busca contribuir para protocolos mais seguros de controle de infecção sem comprometer a qualidade das imagens

A tese que Iago está desenvolvendo para o doutorado é uma pesquisa relacionada às radiografias digitais e ao controle de infecção - Foto: Arquivo pessoal

Uma tese de doutorado desenvolvida por um odontólogo sergipano investiga como a qualidade das radiografias digitais pode ser alterada com o uso de substâncias que costumam ser empregadas na higienização e descontaminação das máquinas. 

O estudo está sendo realizado por Iago Filipe Correia Dantas, formado em Odontologia pela Universidade Tiradentes (Unit) e atual aluno de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Radiologia Odontológica, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), ligada à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp/SP). 

Os trabalhos incluem um recente período de seis meses de estudos na University of Louisville (UofL), em Louisville (Estados Unidos), em regime de doutorado-sanduíche.  

A pesquisa da tese de Iago está relacionada às radiografias digitais e ao controle de infecção. Ele estuda, desde o mestrado, o impacto de diferentes substâncias desinfetantes utilizadas na rotina clínica sobre os receptores radiográficos digitais. 
Este, inclusive, foi o tema da dissertação que defendeu na própria FOP, em 2023, quando estudou o impacto de substâncias como álcool isopropílico e álcool etílico na qualidade da imagem de placas de fósforo fotoestimuláveis.

De acordo com Iago, o objetivo é demonstrar como isso pode influenciar a qualidade das imagens radiográficas e, em consequência, diferentes tarefas de diagnóstico. “Acredito que o principal impacto desse estudo é contribuir para que os exames radiográficos sejam cada vez mais seguros e confiáveis. 

Na prática, buscamos identificar quais métodos de desinfecção conseguem eliminar o risco de contaminação sem comprometer a qualidade da imagem. Isso ajuda os profissionais a adotarem protocolos mais seguros para pacientes e equipes de saúde, além de garantir exames com maior qualidade para um diagnóstico mais preciso”, argumenta.

Ele conta que se interessou pelo tema ainda na graduação em Odontologia, que cursou na Unit entre 2014 e 2019. Durante o quarto período, Iago fez a disciplina de Radiologia Odontológica, área responsável por realizar e, principalmente, interpretar exames de imagem utilizados na Odontologia, como radiografias, tomografias computadorizadas e outros exames complementares. 

“Nosso trabalho é auxiliar os demais dentistas no diagnóstico e no planejamento dos tratamentos, identificando alterações que muitas vezes não são perceptíveis apenas durante o exame clínico. É uma especialidade que tem um papel fundamental para que o paciente receba um diagnóstico preciso e um tratamento mais seguro”, explica, definindo seu contato com a área como um “amor à primeira vista”.  

Após participar de várias atividades extracurriculares, incluindo o Projeto de Extensão em Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico e a monitoria das disciplinas de Radiologia e Imaginologia Odontológica e Saúde Bucal Coletiva, Dantas concluiu a graduação e ingressou na FOP, mantida pela Unicamp em Piracicaba (SP) e considerada recentemente pelo SCImago Institutions Rankings (SIR) como a oitava melhor faculdade de odontologia do mundo e segunda da América Latina. 

Ali, fez o mestrado em Radiologia Odontológica, ingressou no doutorado e foi aprovado no Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).  

O projeto aprovado com a bolsa do PDSE foi desenvolvido na Escola de Odontologia da Universidade de Louisville (ULSD), que ocupa posições de destaque nos Estados Unidos em repasses de verbas públicas para pesquisas na área odontológica e craniofacial. 

Durante o período de pesquisa na instituição norte-americana, o sergipano aprofundou ainda mais sobre o tema, incluindo estudos com microscopia eletrônica de varredura (MEV), que permitem analisar alterações microscópicas nos receptores de imagem.

“Embora seja uma pesquisa bastante específica, ela tem potencial para influenciar protocolos utilizados em clínicas, universidades e serviços de saúde, beneficiando diretamente a assistência prestada aos pacientes”, argumenta o autor, que já retomou os trabalhos na FOP/Unicamp, em Piracicaba. A previsão é de que a tese de doutorado seja concluída e defendida em fevereiro de 2027.  

Depois do doutorado, Iago Dantas pretende conciliar a pesquisa, a docência e a prática profissional na Radiologia Odontológica. Para ele, são três frentes que se complementam e tornam a atuação profissional ainda mais completa. “Quero seguir desenvolvendo estudos que possam gerar impacto na prática clínica e contribuir para a evolução da Radiologia Odontológica. 

Também pretendo formar novos profissionais e pesquisadores, da mesma forma que fui incentivado por excelentes professores ao longo da minha trajetória. Acredito que o conhecimento só faz sentido quando é compartilhado e pode beneficiar outras pessoas”, justifica.

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