Estudantes potiguares apresentam na ONU pesquisa sobre recuperação da Caatinga
Trabalho desenvolvido por alunas do IERN usa microalgas para recuperar solos degradados do semiárido e foi selecionado pela FAO
Cinco estudantes do curso técnico em Química do Instituto Estadual de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (IERN) foram selecionadas para apresentar no World Food Forum (WFF), fórum promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália, uma pesquisa que propõe o uso de biomassa da microalga Scenedesmus como biofertilizante para recuperar solos da Caatinga afetados pela desertificação. A participação das estudantes no fórum internacional está sendo viabilizada com o apoio institucional do Consórcio Nordeste e do Instituto Clima e Sociedade (iCS).
As alunas Ana Júlia Câmara Brum, Maria Clara Galdino e França, Maria Vitória Hora Tavares, Helena Marillac e Ana Terra Duarte integram o projeto Ka'atinga, iniciativa que nasceu dentro da escola pública e ganhou reconhecimento internacional ao ser escolhida para integrar um dos principais fóruns mundiais sobre alimentação, agricultura e sustentabilidade.
A pesquisa estuda o potencial da microalga Scenedesmus como biofertilizante para auxiliar na recuperação de áreas da Caatinga afetadas pelo processo de desertificação. A microalga é capaz de capturar dióxido de carbono durante seu desenvolvimento e, quando cultivada em meio nutritivo adequado, produz uma biomassa rica em nutrientes e matéria orgânica que pode ser aplicada ao solo para melhorar sua qualidade. O trabalho integra conhecimentos de química, biotecnologia e sustentabilidade desenvolvidos por estudantes da rede pública estadual.
Para Ana Júlia Câmara Brum, uma das integrantes da equipe, representar o Rio Grande do Norte em um evento internacional vai além da apresentação da pesquisa científica. "Levar essa pesquisa para o WFF representa ressignificar o que é ser estudante de escola pública. Mais do que isso, o único grupo de estudantes do ensino médio no WFF 2026 ser completamente formado por alunas mulheres norte-rio-grandenses reafirma nosso protagonismo científico e a luta pela justiça social, além de inspirar outras estudantes de rede pública, mulheres, nordestinas e norte-rio-grandenses", destacou.
O convite para participar do evento surgiu após a pesquisa ser submetida à FAO com o apoio da colega Carolina Damasio, da NextGen, que auxiliou o grupo no envio do trabalho. Quando receberam a notícia do reconhecimento pela ONU, as estudantes relataram surpresa e alegria. "Ficamos desacreditadas que alunas do ensino médio público foram reconhecidas pela própria ONU. Sabíamos que era uma experiência ímpar e nunca tinha passado pelas nossas cabeças esse resultado", comentou Ana Júlia.
Apoio institucional
A articulação que viabilizou a participação das estudantes no fórum internacional foi realizada pelo Consórcio Nordeste a partir de solicitação da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, e contou com o apoio do iCS.
Para o Consórcio Nordeste, o apoio à participação das estudantes no fórum reforça o compromisso da instituição com a ciência, a juventude e o desenvolvimento sustentável do semiárido. A parceria entre o Consórcio Nordeste e o Instituto Clima e Sociedade tem atuado para viabilizar que soluções nordestinas para desafios globais ganhem visibilidade e impacto. A pesquisa desenvolvida por essas estudantes potiguares sobre a recuperação da Caatinga é um exemplo concreto de como a ciência produzida na região pode contribuir para agendas internacionais de sustentabilidade e segurança alimentar.
O World Food Forum 2026 será realizado entre os dias 8 e 16 de outubro, na sede da FAO, em Roma, reunindo representantes de governos, organizações internacionais, academia, setor privado e sociedade civil para debater a transformação dos sistemas agroalimentares globais.