Aracaju (SE), 24 de julho de 2026
POR: Gabriel Damásio
Fonte: Ascom Unit
Em: 24/07/2026 às 08:39
Pub.: 24 de julho de 2026

Simpósio destaca projetos que incentivam a atuação de mulheres na ciência

Evento nacional realizado em Aracaju reúne cientistas e estudantes para compartilhar pesquisas e discutir a participação feminina nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.

Simpósio destaca projetos que incentivam a atuação de mulheres na ciência - Foto: Ascom Unit

Um evento que chama a atenção para o enorme potencial da presença das mulheres na ciência de ponta, principalmente em pesquisas que envolvem substâncias que mal podem ser vistas por um microscópio, mas têm uma importância cada vez maior em nosso dia-a-dia. Esta é a proposta do 2º Simpósio Nacional de Mulheres na Nanociência, promovido pela Rede Nacional de Mulheres na Nanociência em parceria com a Universidade Tiradentes (Unit). O evento, que acontece no Campus Farolândia da Unit, em Aracaju, vai até esta sexta-feira, 24, reunindo cerca de 110 pesquisadoras e 150 estudantes bolsistas, vindas de vários estados do país. 

Ao longo do evento, elas participam de oficinas, minicursos, palestras e painéis temáticos sobre nanociência, inovação tecnológica, interdisciplinaridade e equidade de gênero na ciência, além de apresentarem pôsteres com um resumo dos trabalhos científicos que desenvolveram em suas escolas e universidades de origem. O objetivo é promover a troca de experiências e o networking entre pesquisadoras, inspirando novas gerações de meninas e mulheres nas chamadas Ciências Exatas, além de estimular e apoiar a participação ativa de mulheres, especialmente aquelas de diferentes origens étnico-raciais, nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, reunindo estudantes e professoras da pós-graduação, graduação e ensino básico. 

“Essa é uma ação de extrema importância, porque são pesquisadoras que fazem um trabalho junto com as escolas públicas levando a Nanociência para formação dessas meninas e mostrando o quanto a ciência, tecnologia e inovação é pode transformar a vida delas. São mulheres de destaque e lideranças muito grandes dentro do país, levando protagonismo às mulheres e fazendo com que venha uma próxima geração de mulheres cientistas na área de tecnologia, inovação e matemática”, destacou a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unit, Patrícia Severino, que também é professora do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS) e integra a Rede. 

Fundada em setembro de 2024, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Rede Nacional de Mulheres na Nanociência possui conexão e atuação nas cinco regiões brasileiras, contando seis núcleos que englobam projetos de pesquisa em áreas como radiologia, medicina, matemática, física, química, biologia, engenharias e ciências naturais, entre outras. Estas áreas são integradas através da nanociência, que é o estudo de como os átomos e as moléculas se comportam em uma escala extremamente pequena, chamada de nanoescala, a partir de átomos cerca de 100 mil vezes menores que a grossura de um fio de cabelo. 

‘“A gente tem aqui uma gama de pesquisadoras inspiradoras em todas essas áreas, e a nanociência é interdisciplinar porque navega entre elas. Com isso, as meninas também se fortalecem, porque enxergam exemplos que não são tão restritos a uma única área. Por ter essa mobilidade, a nanociência consegue atrair tudo isso. E é muito importante que a gente faça isso não só nas escolas, mas agregue também os programas de mestrado e doutorado dentro das universidades”, explica a professora Solange Binotto Fagan, coordenadora da Rede Nacional de Mulheres na Nanociência e vice-reitora da Universidade Franciscana (UFN), de Santa Maria (RS). 

Para a secretária de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, Joana Célia dos Passos, o simpósio mostra como a educação e a ciência podem contribuir para a autonomia das mulheres e a promoção da equidade de gênero. “Nós temos dito e ouvido muito que as mulheres podem estar onde elas quiserem. Esse evento e o projeto em rede dizem para cada estudante que é possível as meninas estarem no mundo da ciência, desenvolvendo pesquisas e estudos capazes de alterar a realidade brasileira na produção científica, na produção do conhecimento. A nanotecnologia é uma área predominantemente masculina, e daí é fundamental incentivar, problematizar a área e trazê-las para esse momento”, ressaltou Joana.

O vice-reitor em exercício da Unit, professor Valter Joviniano de Santana Filho, destacou que a instituição estimula a participação das mulheres na área científica, ao ter composição majoritariamente feminina em seus programas de pós-graduação stricto sensu. “Entendendo a importância e relevância da pesquisa para o desenvolvimento local e regional, a Universidade Tiradentes fica muito feliz em sediar um evento que mostra por exemplos práticos a todos os jovens cientistas que é possível. Sabemos das dificuldades, das barreiras e quanto mais discutirmos meios para que o ambiente mude, que seja efetivamente permitido a todos e todas que queiram da ciência prosperar. É uma obrigação da Unit em trazer esse assunto, e ficamos felizes em poder aqui discutir e incentivar diversas jovens a prosperarem também a nível científico”, saudou.

Trocando experiências

Os projetos desenvolvidos pelas universidades integrantes da Rede Nacional de Mulheres na Nanociência são orientados por pesquisadoras dos programas de pós-graduação em áreas das Ciências Exatas e Biológicas, que desenvolvem pesquisas e projetos de extensão com alunas de graduação, mestrado e doutorado, mais a participação de professoras e estudantes de escolas públicas dos ensinos fundamental e médio. Além de ações educativas promovidas nas escolas, as meninas que se destacam participam diretamente das pesquisas, como bolsistas de iniciação científica. 

Um destes projetos é o BrilhanteMente, do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) com o Instituto de Física da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e escolas públicas das cidades de Maceió, Murici e Satuba (AL). Emilly Maria de Araújo Silva, que faz o segundo ano do Ensino Médio no Ifal, explica que as equipes analisam teses de doutorado e empregam cálculos de física estatística e neurocomputacional, buscando uma identificação mais precoce da doença de Alzheimer e permitindo uma melhor compreensão médica e científica sobre ela. “O foco do projeto é nas meninas, para incentivar a presença delas nas ciências exatas. Além de estar estudando o conteúdo do doutorado justamente agora no Ensino Médio, eu vou ter uma maior facilidade quando entrar na faculdade. É uma experiência esplêndida, elogia Emilly. 

A professora gaúcha Elaine Binotto Fagan veio a Aracaju com sete alunas da Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Rafael Iop, em São João do Polêsine (RS). Elas atuam há dois anos em pesquisas conjuntas com a UFN, em Santa Maria, desenvolvendo jogos educativos para crianças estudantes do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental, ensinando os conceitos de nanotecnologia e nanociência, bem como a presença desses conceitos na sociedade e no dia-a-dia. “É um projeto maravilhoso, porque as meninas se tornam protagonistas desse trabalho. Na nossa época, a gente não tinha essas oportunidades, e hoje elas estão diretamente ligadas a uma universidade. A gente tem alunos e alunas que não estão nem no ensino médio ainda e já estão participando de projetos em nível nacional, todos desenvolvidos dentro de uma escola pública”, citou ela. 

Outro projeto é o estudo de Victoria Louise Santana dos Santos, aluna de doutorado do PBS/Unit e eleita uma das “25 Mulheres na Ciência da América Latina”, em um prêmio promovido pela multinacional 3M. Ela desenvolve um tratamento para o câncer de pele utilizando membranas com múltiplas camadas, que liberam substâncias para destruir os tumores cancerígenos a partir do contato com feixes de luz em LED. “Acho gratificante essa oportunidade das mulheres aparecerem e demonstrarem o seu trabalho. É muito gratificante ver também os prêmios também que têm sido envolvidos nessa área, principalmente na que eu fui premiada. Ter esse reconhecimento e esse simpósio para dar visibilidade aos nossos projetos é maravilhoso e contribui muito para que nós mulheres sejamos vistas da melhor forma possível lá fora”, destacou Victória. 

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