Dr. Helton Monteiro critica privatizações e defende participação popular em entrevista ao Inove Notícias, da Rádio Cultura
O pré-candidato ao Governo de Sergipe pelo Partido Socialismo e Liberdade, Dr. Helton Monteiro, foi entrevistado nessa quarta-feira, 22, no programa Inove Notícias, transmitido pela Rádio Cultura, em conversa conduzida pelo apresentador Kleber Alves.
Durante a entrevista, Dr. Helton falou sobre sua trajetória pessoal, relembrou sua atuação no movimento sindical, criticou o avanço das privatizações no estado e defendeu um projeto político voltado à participação popular, justiça social e fortalecimento dos serviços públicos.
Ao abordar sua trajetória pessoal, Dr. Helton Monteiro relembrou a infância humilde e destacou os estudos como caminho de transformação social, percurso que o levou ao curso de Medicina da Universidade Federal de Sergipe. Também recordou o envolvimento precoce com a militância de esquerda e movimentos populares, experiência que, segundo ele, mudou sua visão política e compromisso social.
Atuação sindical
Dr. Helton também relembrou sua atuação à frente do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe, do qual está atualmente licenciado.
Segundo ele, durante a pandemia, o sindicato, outras entidades da saúde e o Ministério Público se mobilizaram para garantir que a vacina chegasse à população o mais rápido possível, além de fiscalizar as condições da rede pública.
Entre os episódios citados na pandemia, destacou uma vistoria realizada no Hospital Amparo de Maria, em Estância, quando, conforme relatou, foram encontrados leitos de UTI sem colchão, situação que classificou como “inadmissível e símbolo do sucateamento da saúde pública”.
Dr. Helton ressaltou o papel decisivo dos servidores públicos durante a crise sanitária, afirmando que “médicos, enfermeiros e demais profissionais sustentaram o sistema de saúde em um dos períodos mais desafiadores da história recente”.
Privatização da saúde
Na entrevista, Dr. Helton declarou que a saúde pública sergipana passa por precariedade, apontando que boa parte da gestão do setor hoje se encontra nas mãos da iniciativa privada.
Ele citou, inclusive, indicadores sociais preocupantes, mencionando que “Sergipe aparece entre os estados com altos índices de mortalidade infantil e aumento de mortes consideradas preveníveis”.
Ainda lembrou problemas estruturais em unidades hospitalares, como relatos de sujeira em leitos pediátricos no Hospital Regional de Propriá, além de atrasos salariais registrados em outros locais.
Motivações para disputar o governo
Questionado sobre o que o motivou a aceitar a pré-candidatura, Dr. Helton respondeu que sua participação política não nasce de ambição pessoal, mas de uma construção coletiva ligada aos movimentos sociais e ao campo democrático popular.
“Eu não sou candidato de mim mesmo, sou candidato de um grupo”, afirmou.
Em tom crítico, disse que há setores da política “encegueirados” – como dizia seu avô – pelo poder, preocupados em se perpetuar em cargos públicos, eleger familiares e abandonar mandatos em busca de novas posições.
Segundo Dr. Helton, sua trajetória de mais de 20 anos de militância sempre esteve voltada ao coletivo, especialmente à defesa da classe médica e das pautas sociais.
O pré-candidato também voltou a criticar as privatizações em Sergipe, mencionando problemas no abastecimento de água após a concessão parcial da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) à Iguá Saneamento, que passou a administrar maior parte dos serviços anteriormente geridos pela estatal.
Por que escolheu o PSOL
Ao explicar sua filiação ao PSOL, Dr. Helton afirmou que o partido reúne lutas consideradas centrais para a sociedade atual, como a defesa dos trabalhadores do campo, da população LGBTQIA+, o combate ao racismo e a garantia dos direitos das mulheres.
Disse ainda que a legenda busca o diálogo sem intolerância e sem agressividade com quem pensa diferente, valorizando uma forma democrática de fazer política.
Plano de governo coletivo
Por fim, Dr. Helton afirmou que o plano de governo será construído de forma participativa, ouvindo movimentos sociais, trabalhadores e diversos setores da sociedade.
Defendeu bandeiras como justiça social, igualdade, combate às privatizações e posicionamento contrário à escala de trabalho 6x1.
Ao encerrar a entrevista, resumiu sua visão política em uma frase: “Voto não tem dono, tem consequência”.