Canetas emagrecedoras podem prevenir o câncer de próstata? Dr. André Yoichi explica
Medicamentos usados contra obesidade e diabetes estão sendo estudados por possíveis efeitos sobre o câncer de próstata, mas ainda não há comprovação de que reduzam o risco da doença nem indicação para usá-los com essa finalidade
Medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, entre eles os agonistas do receptor de GLP-1, passaram a ser investigados por possíveis efeitos sobre alguns tipos de câncer.
No caso do câncer de próstata, estudos encontraram sinais de uma possível associação com menor incidência da doença. Os resultados, porém, ainda não demonstram que esses medicamentos previnam o tumor.
Uma análise apresentada em 2025 no simpósio de tumores geniturinários da Sociedade Americana de Oncologia Clínica reuniu 56 ensaios clínicos randomizados, com 59.334 homens. Os diagnósticos de câncer de próstata corresponderam a 0,46% entre os participantes que receberam medicamentos da classe GLP-1 e a 0,55% no grupo de comparação.
A diferença não foi estatisticamente significativa, ou seja, não permite concluir que os fármacos tenham causado uma redução do risco.
Para o urologista e cirurgião robótico Dr. André Yoichi, a distinção entre uma hipótese promissora e uma prevenção comprovada precisa ficar clara para os pacientes. “Os estudos levantam uma questão importante, mas ainda não autorizam dizer que as canetas previnem o câncer de próstata.
São necessárias pesquisas específicas, com acompanhamento adequado, para entender se existe algum efeito real e para quais pacientes ele poderia se aplicar”, afirma.
Parte da hipótese está relacionada ao metabolismo. O excesso de gordura corporal é associado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) a maior risco de câncer de próstata avançado.
Como os agonistas de GLP-1 podem ser usados no tratamento da obesidade e do diabetes, pesquisadores investigam se as mudanças no peso e em fatores metabólicos poderiam influenciar o risco ou a evolução de tumores. Essa possibilidade, contudo, ainda está em estudo e não comprova um efeito preventivo do medicamento.
“O tratamento da obesidade ou do diabetes deve ser decidido de acordo com a condição clínica do paciente. Não se deve começar a usar semaglutida ou outro medicamento da classe com a expectativa de prevenir um câncer”, orienta Yoichi.
Vale ressaltar que esses medicamentos têm indicações, contraindicações e possíveis efeitos adversos e que não devem ser usados com o objetivo de prevenir o câncer de próstata.
“A mensagem mais responsável, neste momento, é acompanhar a ciência sem transformar resultados preliminares em promessas de prevenção. Cada homem deve conversar com o urologista sobre seus sintomas, histórico e dúvidas, e cada medicamento precisa ser usado pela indicação correta”, conclui Dr. André Yoichi.