Escola João Oliva amplia os espaços de acolhimento para os alunos da educação especial
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental em Tempo Integral João Oliva Alves, no bairro Santa Maria, a educação inclusiva vai além da sala de aula. A unidade desenvolve projetos voltados ao desenvolvimento integral dos 57 estudantes atendidos pela Educação Especial, fortalecendo a aprendizagem, a autonomia e o acolhimento de crianças e famílias.
Com esse propósito, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Educação (Semed) e da Coordenadoria de Educação Especial (Coesp), promoveu, nesta quinta-feira, 30, um encontro de acolhimento com as famílias dos estudantes da Educação Especial. A iniciativa proporcionou um espaço de escuta, diálogo e fortalecimento dos vínculos entre escola, familiares e profissionais envolvidos no desenvolvimento das crianças.
Os encontros vêm sendo realizados em diferentes unidades da rede municipal e são conduzidos pela coordenadora da Educação Especial da Semed, Rosahyarah Alves. Durante as reuniões, são discutidos os papéis da escola, da família e das equipes terapêuticas no processo de inclusão, reforçando que uma educação verdadeiramente inclusiva depende da atuação conjunta de todos.
"Nós esclarecemos dúvidas sobre a Educação Especial, discutindo aspectos do desenvolvimento infantil, inclusão, acolhimento e a importância da comunicação permanente entre escola, família e profissionais que acompanham os estudantes, como cuidadores, mediadores e professores. Nenhuma criança se desenvolve sozinha. O progresso só acontece quando todos caminham juntos, construindo um caminho de colaboração, respeito e cuidado compartilhado", destacou a coordenadora.
Sala Sensorial amplia acolhimento e aprendizagem
Entre as iniciativas desenvolvidas pela escola está a Sala Sensorial e de Mediação Pedagógica, inaugurada no último dia 22 de julho. Idealizado pela equipe gestora e pelos professores da unidade, o espaço atende estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Deficiência Intelectual (DI), Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC) ou que estejam vivenciando momentos pontuais de sofrimento emocional.
O ambiente foi planejado para oferecer mediação pedagógica de forma ativa e lúdica, utilizando jogos, blocos de montar e circuitos psicomotores para auxiliar estudantes que apresentam dificuldades de autorregulação emocional, sensibilidade a estímulos externos ou desafios comportamentais. A sala não possui caráter recreativo nem punitivo e tampouco substitui a sala de aula ou os atendimentos especializados. Seu funcionamento ocorre de forma complementar, respeitando as necessidades de cada estudante e o Plano Educacional Individualizado (PEI).
Com recursos sensoriais e atividades pedagógicas estruturadas, o espaço contribui para o desenvolvimento da atenção, da comunicação, da coordenação motora, da autonomia e da autorregulação emocional.
Além dos benefícios pedagógicos, a iniciativa representa um importante apoio para professores e familiares, que agora contam com um ambiente preparado para acolher os estudantes em momentos de desregulação emocional.
Segundo o professor de Educação Física Edilson Júnior, antes da implantação da sala, o acolhimento era restrito ao diálogo e às estratégias pedagógicas convencionais.
"A Sala Sensorial é fundamental para o desenvolvimento psicomotor dos alunos. Além do aprimoramento das habilidades sensoriais, a prática trabalha a psicomotricidade de forma integral, auxiliando os estudantes com deficiência a desenvolver aspectos como lateralidade, equilíbrio e coordenação motora global. Esse suporte reflete diretamente no desempenho e na adaptação em sala de aula", explicou.
A mãe Fernanda Santos também percebeu mudanças significativas. Sua filha, diagnosticada com TDAH e Deficiência Intelectual (DI), necessita de momentos de autorregulação ao longo da rotina escolar, e a Sala Sensorial passou a oferecer um ambiente adequado para esse acolhimento.
"Acompanho ativamente a rotina da minha filha, participo das reuniões e procuro compreender tudo o que a escola oferece. Quero que ela desenvolva autonomia para, no futuro, ser uma adulta funcional. A Sala Sensorial se tornou fundamental nesse processo", afirmou.
Pijama Sensorial favorece autorregulação
Outra iniciativa desenvolvida pela escola é o projeto Pijama Sensorial, criado para favorecer a autorregulação sensorial e emocional das crianças, reduzindo episódios de agitação e crises comportamentais.
Inspirado nas mantas ponderadas terapêuticas, o recurso utiliza pijamas confeccionados com tecido de maior peso e textura confortável, proporcionando sensação de acolhimento, segurança e conforto durante momentos de maior ansiedade ou desorganização emocional.
Idealizado pela psicopedagoga Carla Araújo, o projeto atende estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental e vem sendo desenvolvido desde o início do ano letivo. A iniciativa surgiu diante do aumento de matrículas de crianças com TEA nessa etapa escolar e da necessidade de oferecer estratégias que facilitassem a adaptação à rotina da escola.
"O recurso foi apresentado às crianças de forma lúdica, por meio de uma história que explica quando o pijama pode ser utilizado. O objetivo é que elas reconheçam suas próprias necessidades e solicitem o uso antes que uma crise se instale, favorecendo a autorregulação e permitindo que permaneçam participando das atividades em sala", explicou a psicopedagoga.
Desde a implantação, o projeto tem apresentado resultados positivos, contribuindo para a redução das crises, o fortalecimento da autonomia dos estudantes e a construção de um ambiente escolar cada vez mais acolhedor, inclusivo e preparado para atender às diferentes necessidades das crianças.