Prefeitura de Aracaju oferece tratamento para pessoas com hanseníase
Thayane Lima (Foto: Sergio Silva)
O último domingo de janeiro é o Dia Mundial da Hanseníase - este ano, no último domingo, 28 -, mas a SMS reserva a última semana do mês para realizar palestras nas unidades, exibir vídeos sobre os sintomas da doença e mostrar como fazer o autoexame. Identificar a hanseníase imediatamente é importante para evitar a propagação da doença pelo resto do corpo e evitar consequências mais graves.
Em 2017, foram registrados somente 15,8 novos casos para cada 100 mil habitantes do município, o índice de cura chegou aos 90% e Aracaju atingiu a meta nacional exigida pelo Ministério da Saúde. "Apesar de Aracaju estar localizada em uma região propícia à proliferação da hanseníase, que é a região Nordeste, o acompanhamento rigoroso aos pacientes permite alcançar um número elevado de cura", explica a enfermeira e assessora técnica da Secretaria Municipal da Saúde, Thayane Reis.
Além das UBS, o Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (Cemar) conta com o Departamento de Hanseníase, que atua no tratamento de crianças, idosos e de casos mais graves e complexos. Além disso, graças a um convênio entre a Prefeitura de Aracaju e o Hospital Universitário, foi criado um Departamento de Dermatologia que, monitorado pela SMS, trata pessoas vítimas da doença.
Tratamento
O tratamento é simples e na maioria dos casos tem cura. "Dependendo do caso, ele pode durar seis ou 12 meses. O paciente toma uma dose supervisionada na unidade de saúde e as outras doses toma em casa. Ao sair da unidade, o paciente já deixa agendado o dia de seu retorno no mês seguinte e os médicos fazem a orientação durante todo o tratamento", explica Thayane Reis.
Mas é importante que o enfermo não interrompa o tratamento mesmo após sinais de melhora. Isso pode trazer consequências graves. "O risco de abandonar o tratamento é agravar os nervos e trazer deformidades. Podendo surgir mão em garra e feridas. Além disso, o paciente pode transmitir a doença a outras pessoas, coisa que não acontece durante o procedimento terapêutico", alerta Thayane.
Além dos médicos, há um acompanhamento do fisioterapeuta André de Oliveira, que solicita exames para diagnosticar uma possível tendência do paciente a atrofia dos membros. "Há tipos de hanseníase que provocam atrofia dos dedos. Nesses casos é importante um acompanhamento de fisioterapia para justamente evitá-la", explica o fisioterapeuta.
Hanseníase
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria denominada Mycobacterium leprae. Ela não é hereditária e sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa que foi infectada. A doença costuma evoluir lentamente e pode levar até 20 anos para que sinais e sintomas da infecção sejam detectados. Segundo Thayane, trata-se de "uma doença silenciosa e que em razão disso o paciente não dá a necessária atenção".
Os principais sintomas da hanseníase são sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades, manchas brancas ou avermelhadas na pele, perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato, áreas da pele aparentemente normais que têm alteração da sensibilidade e da secreção de suor e nódulos, e placas em qualquer local do corpo. Em estágios avançados a hanseníase pode causar a cegueira. "É geralmente nesse momento que o paciente resolve procurar ajuda", explica a assessora. A transmissão da hanseníase é por meio de gotículas de saliva, ou seja, é preciso um convívio diário com uma pessoa portadora da bactéria para contrair a doença.