FLUTUANTE  1000 x 300
Aracaju (SE), 23 de setembro de 2026
POR: Laís Marques
Fonte: Asscom Unit
Em: 23/09/2026 às 10:32
Pub.: 23 de setembro de 2026

Pesquisa avalia óleo essencial de laranja no combate às larvas do Aedes aegypti

Estudo combina argila e polímeros biodegradáveis para controlar a liberação do óleo e investigar sua ação larvicida

Pesquisa avalia óleo essencial de laranja no combate às larvas do Aedes aegypti - Foto: Divulgação

O Aedes aegypti percorre várias fases de desenvolvimento até chegar à forma adulta, quando pode transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya. Antes disso, permanece em ambientes aquáticos, onde se desenvolve em locais com água acumulada, como vasos, pneus, caixas-d’água, calhas e outros recipientes. Essa etapa do ciclo do mosquito também é alvo de estudos científicos que procuram desenvolver novas estratégias para seu controle. 

Entre as alternativas investigadas está o uso de componentes de origem natural. A casca da laranja, geralmente descartada após o consumo ou processamento da fruta, contém substâncias que podem ser aproveitadas em diferentes aplicações. 

É a partir da combinação entre esse recurso natural, a tecnologia farmacêutica e o controle de vetores que se desenvolve a pesquisa de Christauanne Campos, estudante do 5º período de Farmácia da Universidade Tiradentes (Unit), vinculada ao programa de Iniciação Científica. 

Solução natural 

De acordo com a estudante, o estudo faz parte da linha de pesquisa coordenada pela orientadora, Profa. Dra. Adriana Santos, voltada à investigação de produtos naturais e sistemas destinados ao controle do Aedes aegypti. 

“Escolhi esse tema por apresentar afinidade com as áreas de produtos naturais, tecnologia farmacêutica e saúde pública. A possibilidade de participar do desenvolvimento de um produto larvicida para o controle focal de Aedes aegypti despertou meu interesse, principalmente por se tratar de uma proposta importante para o enfrentamento de um grave problema de saúde pública”, explica. 

A proposta consiste na elaboração de biocompósitos à base de argila regional e polímeros biodegradáveis, que receberão o óleo essencial de Citrus sinensis, denominação científica da laranja. Além de explorar propriedades desses materiais, a escolha das matérias-primas aproxima o estudo do aproveitamento de recursos encontrados no próprio estado. 

Christauanne explica que o projeto é conduzido por ela, pela professora Adriana Santos e pela mestranda Silva de Oliveira Santos. Os materiais desenvolvidos são submetidos a análises de suas propriedades físico-químicas, da capacidade de incorporar e liberar o óleo, da ação sobre as larvas e de aspectos relacionados à segurança ambiental. 

Óleo de laranja e liberação gradual 

A utilização da laranja na pesquisa está relacionada não somente à facilidade de acesso à fruta. A casca também é considerada uma fonte de matéria-prima que pode receber uma nova aplicação antes de ser eliminada. “A matéria-prima é abundante e de baixo custo. As cascas podem ser utilizadas na extração do óleo essencial, que apresenta concentração de limoneno, composto natural associado a diferentes atividades biológicas, entre elas a ação larvicida investigada no projeto”, pontua. 

O óleo essencial possui propriedades que tornam sua aplicação direta mais complexa. Por ser volátil, apresentar baixa solubilidade em água e sofrer influência de fatores como luz e temperatura, precisa ser incorporado a uma estrutura que favoreça sua estabilidade e utilização. 

Por esse motivo, o estudo emprega uma matriz composta por argila e polímero biodegradável para receber o óleo. Ao entrar em contato com a água, o material é projetado para liberar seus componentes de maneira progressiva. 

Com isso, a proposta é evitar que toda a substância seja disponibilizada simultaneamente, mantendo sua presença no ambiente por mais tempo e, assim, favorecendo seu possível efeito sobre as larvas. “Foi necessário avaliar condições de homogeneização e utilizar componentes capazes de auxiliar na dispersão do óleo na matriz polimérica. 

Outro ponto de atenção é encontrar uma velocidade de liberação que preserve sua atividade biológica”, observa. 
A escolha da fase larval está diretamente ligada ao desenvolvimento do mosquito. Antes de alcançar a fase adulta e se tornar capaz de transmitir doenças, o Aedes aegypti vive em ambiente aquático e se desenvolve em recipientes que acumulam água parada. É nessa etapa que o material desenvolvido pela equipe poderá ser empregado, caso sua eficácia seja confirmada pelos testes. 

Próximos testes
 
O estudo já chegou à fase de análise da liberação controlada do óleo e da permanência de seu efeito no material. Com base nos resultados alcançados, as pesquisadoras planejam avançar para o escalonamento do processo e, em seguida, conduzir testes em condições de semicampo. 

A expectativa é que os resultados possam, futuramente, subsidiar o desenvolvimento de uma opção larvicida biodegradável capaz de prolongar a atuação do óleo essencial. A proposta não pretende substituir os métodos atualmente utilizados no combate ao mosquito, mas oferecer uma possibilidade adicional entre as estratégias de controle do vetor. 

Para Christauanne, a participação na pesquisa também amplia sua formação para além dos conhecimentos desenvolvidos em sala de aula. Durante a Iniciação Científica, ela vem acompanhando procedimentos que incluem extração de óleos essenciais, elaboração de formulações, análise de atividades biológicas, práticas de biossegurança, utilização de equipamentos, organização de informações e interpretação dos dados obtidos. 

“A experiência fortalece minha formação acadêmica, desenvolve meu pensamento crítico e mostra a importância do farmacêutico na pesquisa e no desenvolvimento de produtos voltados à saúde pública”, destaca a estudante.

Notícias Indicadas

WhatsApp

Entre e receba as notícias do dia

Matérias em destaque


Click Sergipe - O mundo num só Click

Apresentação