Implante de retina abre nova perspectiva para recuperar parte da visão perdida pela degeneração macular
Uma nova tecnologia começa a abrir caminhos para pacientes que perderam a visão central em decorrência da degeneração macular relacionada à idade (DMRI). O PRIMA, pequeno implante eletrônico colocado sob a retina, já recebeu autorização para comercialização na Europa e apresenta resultados promissores na recuperação de parte da capacidade visual.
A tecnologia é destinada a pacientes com atrofia geográfica, estágio avançado da forma seca da DMRI que provoca perda progressiva e irreversível da visão central. O sistema utiliza um chip de aproximadamente 2 milímetros implantado sob a região afetada da retina e óculos especiais que captam as imagens e enviam sinais ao dispositivo.
“Estamos falando de pacientes que já perderam células responsáveis pela visão central e tinham possibilidades muito limitadas de recuperar essa função. O implante não devolve uma visão normal, mas abre uma perspectiva muito importante de proporcionar novamente algum grau de visão central”, explica o oftalmologista Dr. Bruno Campelo, especialista em retina.
Os resultados de um estudo clínico publicado no New England Journal of Medicine mostraram que, após 12 meses, cerca de 80% dos pacientes apresentaram melhora clinicamente significativa da acuidade visual, de pelo menos 10 letras no exame utilizado para avaliar a visão. Muitos participantes também conseguiram voltar a reconhecer letras, números e palavras com auxílio do sistema.
Como funciona
O PRIMA funciona como uma espécie de prótese visual. Os óculos possuem uma câmera que capta as imagens e as projeta por luz infravermelha sobre o pequeno chip implantado sob a retina. O dispositivo transforma essas informações em estímulos para as células retinianas que permanecem funcionais. Em 2026, a tecnologia recebeu autorização para comercialização em países europeus, um passo importante para que o tratamento comece a sair do ambiente dos estudos clínicos e chegue aos pacientes.
“É um avanço muito relevante porque estamos começando a falar não apenas em tentar impedir a progressão da doença, mas em restaurar parte de uma função visual que já foi perdida. Isso representa uma mudança importante de perspectiva para a retina”, destaca Campelo.
Tecnologia ainda não está disponível no Brasil
O implante ainda não está disponível no Brasil e, neste momento, sua indicação é direcionada a um grupo específico de pacientes com perda visual grave causada pela atrofia geográfica decorrente da DMRI.
Apesar disso, os resultados mostram como a união entre medicina e tecnologia pode transformar o tratamento de doenças degenerativas da retina nos próximos anos.
“É uma tecnologia que ainda precisa percorrer etapas até chegar à nossa realidade, mas representa uma perspectiva de esperança para pacientes que, até pouco tempo atrás, não tinham possibilidade de recuperar a visão central perdida”, conclui Dr. Bruno Campelo.